Adblocking: o problema não está nos anúncios – está nos maus anúncios by Maria Garcês – EDIT. – Disruptive Digital Education

Adblocking: o problema não está nos anúncios – está nos maus anúncios by Maria Garcês

Artigo

Na opinião de Maria Garcês, Social Media Strategist na Adclick e tutora da EDIT., "o ‘tempo' é o nosso recurso mais valioso”, e por isso destaca a relevância das empresas criarem anúncios que não façam o utilizador perder esse mesmo tempo.

Acredito que o “Tempo” é o nosso recurso mais valioso.

Abro um site de informação, aparece um pop up de publicidade; fecho o pop-up, aparece um skyscraper; fecho o skyscraper, aparece um overlay; fecho o overlay, desisto de ler a notícia, não vi anúncio nenhum com olhos de ver e fico com vontade de atirar o pc pela janela fora. Quem nunca?

Quem usa um ad-blocker. E já são mais de 198 milhões de usuários segundo o relatório 2015 da PageFair.

Depois há um cenário pior. Perder tempo e…perder dinheiro. Ver anúncios é irritante, mas tem dias (sites) que é suportável; mas ter de pagar por aquilo que não quero ver, ninguém merece. Pois é, os anúncios consomem dados móveis: tempo e dinheiro é mais que suficiente para fazer com que as pessoas baixem software de adblocking. O meu direito em não querer ver anúncios colide diretamente com o direito dos publishers anunciarem.

E agora?

Eu respondo, como publisher: bring it on!

O adblocking pode ser o responsável por um dos momentos mais decisivos na indústria digital, limpando modelos de negócio baseados em publicidade invasiva que perturba a experiência do utilizador. Este é o momento dos marketeers olharem para lá do conceito de “impressões” e focarem no conceito de “atenção”.

E não, não creio que as pessoas baixem adblockers porque não gostam de publicidade. Basta pensar no SuperBowl ou em revistas de moda como a Vogue que são compradas com o principal interesse de ver anúncios. O que as pessoas não gostam e cada vez menos toleram, são os maus anúncios, descontextualizados, intrusivos.

Como modelo de sustentabilidade, viverão anúncios que não tiram o foco do conteúdo, deixam claro que são anúncios e fazem sentido no contexto do site em que estão inseridos – anúncios que não façam o utilizador perder tempo… ou dinheiro.

Muitos publishers temem as quebras abruptas na receita. Claro que sim. Mas como em todas as crises, há oportunidades: um utilizador que usa software de adblocking é 100% garantido que não deve fazer parte do seu target. É hora de focar em quem realmente está interessado em ver os seus anúncios. Mas mais que isso, é hora de repensar os modelos actuais de publicidade online e (re)conquistar a confiança dos utilizadores: respeitando a plataforma que usam e genuinamente os seus interesses.

Maria Garcês – Social Media Strategist na Adclick, SA

Workshop Social Media Marketing Strategy


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