Freelancer: como começares bem a tua carreira

Artigo

Podemos definir Blockchain como uma rede distribuída de registos, cujos seus utilizadores desempenham um papel fundamental em mantê-la constantemente atualizada e fidedigna.

O que é necessário para começares a tua jornada como freelancer? Um diploma da melhor universidade ou uma formação técnica altamente especializada? Uma mesa do IKEA ou uma secretária feita à medida? Um escritório estiloso na melhor avenida da cidade ou uma simples mesa num qualquer cowork?

Na verdade, nenhum destes artigos é obrigatório para começares, mas sim o desejo de trabalhares e a habilidade para o fazeres. Se sentes que já tens isso e queres começar de imediato, recomendo que tires primeiro um tempo para preparares tudo convenientemente.

Antes de começares a aceitar projectos, avalia a tua situação profissional, social e familiar. É que é diferente começares como freelancer sendo um jovem que vive em casa dos pais ou alguém com uma família formada e que deixa o seu emprego a tempo inteiro. Tal com é diferente alguém que ficou desempregado de outra pessoa que tendo um emprego fixo, reserva mais umas horas do dia para fazer outros trabalhos. Avalia com cuidado a tua situação, pois trabalhar como freelancer acarreta outras responsabilidades além da execução do trabalho.

Pergunta-te se queres começar esta atividade pelas razões corretas, sem os clichês de afirmares que desejas ter mais tempo para a família ou que assim poderás trabalhar em qualquer momento e lugar. Esta é uma actividade exigente e por isso é necessário preparares-te para lidares com todas as situações de stress que terás de enfrentar, como trabalhares com clientes, dificuldades financeiras, insucesso, cumprimento escrupuloso de prazos, conflitos de espaço (especialmente se trabalhares em casa), etc.

A seguir é importante inventariares as tuas qualificações e perceberes o que te distingue da multidão. Não é necessário seres o melhor ilustrador, o melhor designer gráfico, um super perito em todas as linguagens de programação ou o melhor escritor para acederes ao mercado de trabalho. É óbvio que a formação e a qualidade do portfólio são requisitos necessários, mas tão importante são, também, as competências sociais, tais como:

  • saberes negociar o âmbito do projecto e expectativas;
  • resolveres os desafios e comunicares as soluções;
  • apresentares uma ideia;
  • manteres uma postura profissional cumprindo prazos e oferecendo serviços complementares:
  • entre tantas outras.

Determina ainda quais os teus pontos fortes e usa-os, mas procura melhorar e corrigir os teus pontos fracos, sejam técnicos ou sociais.

Define o teu modelo de negócio e o perfil do tipo de cliente:

  • Com quem desejas trabalhar?
  • Que tipo de projetos desejas desenvolver?
  • Qual a indústria que melhor dominas?

Podes pensar que como freelancer tens de aceitar todos os projetos que te surgem, mas essa é uma atitude que irá prejudicar-te, pois ao aceitares projetos para os quais não estás preparado, significa que irás investir longas horas a aprenderes a fazer esse trabalho, sem depois usares esse kwow-how nos projetos seguintes.

Após completares estes passos – avaliar a situação profissional, social e familiar, entender os motivos de trabalhar por conta-própria, inventariar as tuas qualificações e definir o modelo de negócio – é tempo de definires objetivos. É natural que possas sentir-se excitado para começares de imediato a trabalhar, mas se não fores capaz de estabelecer estes objetivos, então estarás a trilhar um caminho sinuoso e acidentado. Alguns desses objetivos podem ser:

  • agendar a data para tratar de todas as burocracias necessárias (por exemplo, tudo o que estiver relacionado com as Finanças ou Segurança Social);
  • lançar um website;
  • atualizar o perfil no Linkedin;
  • listar os teus contactos que poderão ser potenciais clientes;
  • estabeleceres uma meta financeira – seja de gastos ou de ganhos – para os próximos meses.

Escreve estes objectivos numa lista e vai riscando à medida que os alcanças. Se não o fizeres, serás como aquela pessoa que caminha com os atacadores dos sapatos desapertados, sempre a tropeçar de tarefa em tarefa sem importância ou valor, em vez de andares com passos largos e objetivos.

Embora seja muito importante cumprires estes objetivos, não te deixe desmoralizar com os imprevistos. Eles sempre acontecem e só nos filmes é que existem planos perfeitos. Sê suficientemente flexível, adapta o teu plano às necessidades do momento, mas não te desvies em demasia dos objetivos principais e das tarefas necessárias para os alcançares. Um bom freelancer pode ser medido também pela forma de como se adapta rapidamente a cada imprevisto.

Mantem-te otimista no começo da tua atividade, mas não te deixes iludir pelo sucesso fácil. Estabelecer um negócio leva tempo e os clientes não vão começar a fazer fila à porta do teu escritório para te entregarem trabalho. Por isso, está consciente que conquistar os primeiros clientes exigirá esforço. Não basta ter um website e ficar a aguardar que os pedidos de trabalho surjam magicamente na caixa de entrada do email. Trabalhar como freelancer significa procurar ativamente – e sublinho ativamente – por clientes, explorando potenciais oportunidades, criando projetos para enriquecer o portfólio ou dedicares-te ao desenvolvimento e aperfeiçoamento das tuas qualificações. Desde modo, quando surgir a oportunidade estarás preparado.

E por fim, tem a mentalidade certa: um freelancer é mais do que um executor de tarefas a viver de projetos mal pagos, mas alguém que faz do seu trabalho um negócio rentável, seguro e ajustado ao seu estilo de vida.


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