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Disruptive Blog · IA · 6 de agosto, 2026

A experiência é simples
e ninguém a faz com vontade.

Abre a aplicação de IA com que falas todos os dias. Vai ao histórico de conversas. Agora passa o telemóvel a quem está ao teu lado.

Foi assim que Peter Smart, CXO da Fantasy, abriu a apresentação no MIT EmTech AI 2026. O ponto não é a privacidade. É a quantidade de vida que já está ali dentro, e o facto de esse agente ter passado a ser o primeiro sítio onde vamos.

O número

Em 2027, o tráfego de agentes online ultrapassa o tráfego humano.

E a escada até aqui explica-se melhor do que se anuncia. Não foi um salto. Foi uma sequência, e cada degrau teve uma causa.

Dificuldade de conseguir um clique, em múltiplos do orgânico da Google há dez anos
  • Orgânico da Google, há dez anos
  • 20× Orgânico da Google, há cerca de ano e meio
  • 3.000× Através do ChatGPT, hoje
  • 50.000× Através do Claude, hoje

Escala logarítmica. Em escala linear, a primeira barra seria invisível ao lado da última, e o gráfico mentia sobre a forma da subida.

Não quer dizer que ninguém chega até nós. Quer dizer que a camada que decide o que aparece deixou de devolver dez links azuis e passou a responder. E um sistema que responde não precisa de mandar ninguém a lado nenhum.

Isto não é novo. Só mudou o intermediário.

A parte mais útil do argumento é esta: a relação mediada não começou agora. Já vivemos duas décadas com um intermediário entre as empresas e as pessoas, e chamava-se Google.

O que mudou foi a qualidade do intermediário. Os agentes pessoais dão experiências simples, inteligentes e encaixadas no contexto de cada um, com um esforço quase nulo. Ao lado disso, vinte e cinco anos de web e de apps parecem rígidos, impessoais e complicados. Não é mistério nenhum que os agentes estejam a ganhar. Fazem o que os nossos sites nunca fizeram, que é adaptar-se à pessoa.

A dicotomia

Há duas verdades ao mesmo tempo, e é do choque entre elas que nasce a proposta.

Os agentes

Não querem saber da tua marca. Um agente otimiza para a tarefa. Não tem lealdade, não tem memória afetiva, não é sensível a uma campanha.

As pessoas

Continuam a querer. Ninguém quer que um agente vá fazer tudo por si. Nas palavras de Smart, “somos seres exploratórios, na primeira pessoa”.

O que é uma experiência Agent-to-Agent

Em vez de tratar o agente como um problema a bloquear, trata-o como interlocutor. Do lado da empresa há um agente de marca. Do lado da pessoa há o agente pessoal. Os dois comunicam, e o que sai não é uma página pré-construída: é uma interface gerada em tempo real para aquele pedido, com aquele contexto. Ele demonstra ao vivo, com um retalhista fictício, e mostra a arquitetura por baixo.

Repare-se no que isto significa para a disciplina. O produto deixa de ser um conjunto de ecrãs desenhados e passa a ser um conjunto de capacidades que podem ser compostas no momento. Desenhar deixa de ser desenhar o ecrã final. Passa a ser desenhar o sistema que gera o ecrã.

O prazo que apontou para implementação não é para a década: cerca de 18 meses.

Vale a pena ver inteira

A apresentação tem a demonstração ao vivo, a arquitetura técnica, e a parte que raramente entra nestas conversas, o risco de os agentes serem influenciados por quem tem interesse em influenciá-los.

O que fica

Durante vinte e cinco anos otimizámos páginas para uma pessoa com um rato. A camada que hoje decide o que essa pessoa chega a ver já não é uma pessoa.

A pergunta deixou de ser só como é que esta página converte, e passou a ser também o que é que a nossa empresa expõe a um sistema que decide em nome de outra. Conteúdo, dados estruturados, APIs e identidade de marca deixam de ser quatro conversas separadas.

Peter Smart, The New Internet: Agent-to-Agent Experiences, MIT EmTech AI 2026.

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Daniel Devera
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