O design de produtos digitais está a atravessar uma das maiores mudanças desde o boom do smartphone nos anos 2000. Durante anos, o foco foi claro: páginas, fluxos, interfaces e interações desenhadas em plataformas como Google Slides, Sketch, Adobe XD, Figma e assim por diante. Mas 2025 marcou um ponto de viragem. À medida que a Inteligência Artificial se torna o motor de muitos produtos e os utilizadores navegam entre dispositivos e contextos sem interrupção, algo fundamental aconteceu: os ecrãs deixaram de ser o centro da experiência. E o design deixou de ser apenas UX, passando a ser a arquitetura de sistemas.
É uma mudança silenciosa, mas profunda. E quem trabalha com produtos digitais já a sente todos os dias.
A experiência digital moderna já não vive apenas dentro da interface. Pensemos em exemplos do dia a dia:
Nenhuma destas experiências depende exclusivamente de um ecrã. Aliás, neste momento, depende de sistemas: loops, motores, dados, triggers e modelos de IA que aprendem, adaptam-se e atuam.
Este é um dos pontos mais críticos hoje em dia: O design deixou de se preocupar apenas com “como o utilizador navega” e passou a preocupar-se com como o sistema se comporta.
Um sistema é, essencialmente, um conjunto de partes interligadas que cria um comportamento. No design, isso traduz-se em quatro elementos:
Durante décadas, os designers focaram-se em navegar por ecrãs. Agora, focam-se maioritariamente em orquestrar comportamentos.
Esta é a base de frameworks como:
Todos têm algo em comum: não são páginas. São motores.
Muito se fala sobre o fim dos ecrãs. A verdade é que os ecrãs não vão desaparecer: vão simplesmente perder protagonismo.
O que realmente está a aparecer é uma experiência contextual, onde:
Chamamos a isto:
No fundo, estamos a desenhar experiências que acontecem enquanto o utilizador vive a sua vida e não enquanto olha para um dispositivo.
Estamos a falar de AX (Adaptive Experience), o próximo nível do UX. Mas atenção: ignorar a personalização é o erro mais caro que podem cometer. O que funciona para um sistema pode ser um erro total para outro se não existir um ajuste rigoroso aos KPIs e às capacidades técnicas. Estes tópicos servem apenas como ponto de partida. Sem uma reflexão profunda e uma estratégia feita à medida, correm o risco de entregar um produto que falha em adaptar-se e acaba por ser ultrapassado pela concorrência.
O designer deixa de ser apenas o “criador da interface”. Passa a ser:
Nas reuniões, o foco muda. Já não levamos apenas mockups. Levamos:
Este salto de complexidade é, na verdade, uma oportunidade disfarçada. Para o navegarem com sucesso, o meu conselho é para definirem um processo que responda aos novos domínios sob a vossa autoridade e os conceitos principais para a lógica e conformidade do sistema.
Uma vez fechado o processo, devem especificar o que cada ponto exige dentro do contexto único do vosso produto e do ecossistema que o rodeia. Por fim, devem dominar a comunicação: apresentem estes dados de forma estruturada para que clientes, chefes e equipas saibam exatamente como executar a sua parte.
Poderia estender-me sobre este tema, mas a realidade é esta: ignorar esta definição é aceitar o caos. Muitos produtos falham não por falta de talento, mas por falta de foco e estratégia. Não deixem que o vosso projeto seja mais um a perder-se no ruído por falta de organização.
As empresas começam a perceber que:
A área de UX não está a desaparecer. Está a evoluir rapidamente para um nível mais estratégico, mais técnico e mais ligado ao impacto do negócio. Quem aprender a desenhar sistemas vai liderar esta nova fase. Quem continuar focado apenas em ecrãs vai sentir que o mercado avança sem si.
A pergunta já não é “Qual é o próximo ecrã?”, mas sim: “Qual é o comportamento que queremos gerar?”
O futuro do design não vive no pixel, mas sim no sistema invisível que sustenta o produto. Continuarem a focar-se apenas em “criar páginas” é desenhar para um mundo que já não existe. Hoje, o desafio é criar experiências adaptativas, contínuas e preditivas.
O verdadeiro futuro do UX está, inevitavelmente, além do próprio UX. Ficar preso à estética das interfaces é o caminho mais rápido para a irrelevância profissional. Enquanto o mercado evolui para sistemas inteligentes, quem não mudar a sua mentalidade será deixado para trás, a polir pixels num mundo de sistemas.
O futuro já começou. Qual vai ser o teu próximo passo?
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