Game Design

Artigo

A criação e o desenvolvimento de jogos estão entre as competências mais buscadas no mercado digital. Democratizar e fazer com que inclua todas as pessoas é a grande virada para esta nova era do presente e futuro. Dê o play neste artigo incrível escrito pela tutora Bianca Nascimento, EDIT. São Paulo.

Não é segredo para ninguém que a indústria de jogos é majoritariamente composta de homens brancos, cisgêneros e heterossexuais que, consequentemente, fazem jogos para esse mesmo público, o que constantemente levanta debates muito válidos sobre a necessidade de pessoas mais diversas durante o desenvolvimento e também dentro dos jogos, como forma de representatividade.

Essas discussões são muito importantes para o crescimento e aprimoramento da indústria, mas na maior parte das vezes não abrangem de forma proporcional todos os grupos pouco representados, e um dos que menos recebem atenção são as pessoas com deficiência.

Infelizmente falar sobre deficiências e pessoas com deficiência ainda é tratado como um estigma, o que torna mais difícil assuntos importantes como a acessibilidade penetrarem em bolhas como a de desenvolvimento de jogos.

Para começar, se você é um desenvolvedor: você pensa em acessibilidade quando faz seus jogos? Quais decisões você toma para fazer com que seus jogos sejam mais acessíveis? Se você é um jogador: o que você sabe sobre acessibilidade em jogos? Já se questionou se seus jogos favoritos também podem ser os jogos favoritos de alguma pessoa com deficiência?

Olhando pelo lado humano da coisa, a estrutura da nossa sociedade não é inclusiva e nem acessível, todos os dias pessoas com diferentes tipos de deficiência enfrentam dificuldades que não deveriam para fazer coisas que para nós, pessoas sem deficiência, são feitas sem esforço algum, tudo isso pela falta de visibilidade e preocupação em acessibilidade. Se nós podemos mudar isso, mesmo que um pouco, nos preocupando com tornar os jogos que criamos mais acessíveis, por que não nos dar a esse trabalho?

 

Não te convenci ainda? E se eu te disser que segundo o IBGE em 2010 23,9% dos brasileiros possuem algum tipo de deficiência? Digo ainda mais, segundo a OMS em 2011, 1 bilhão de pessoas viviam com algum tipo de deficiência no mundo, e esses dados já são antigos considerando que pesquisas que englobam PCDs são escassas. Sabe o que isso significa? Que você está deixando de tornar seu jogo acessível para uma parcela considerável de possíveis consumidores, deixando de ganhar dinheiro com isso.

 

É muito comum acreditar que a acessibilidade só acontece com equipamentos caros como o Adaptive Controller do Xbox, por exemplo, mas na verdade muito da acessibilidade dentro dos jogos acontece com decisões simples de design e UX.

 

Optar pelo uso de legendas com fontes legíveis, grandes o bastante, com um bom espaçamento entre as palavras e a opção de contorno, por exemplo, é uma decisão simples, completamente factível e barata que já torna seu jogo mais acessível.

 

Quando pensamos em pessoas com deficiência e acessibilidade é comum pensarmos só em casos muito extremos ou muito específicos, como pessoas que utilizam cadeira de rodas ou que não possuem 100% da visão, mas na verdade existe uma variedade enorme de deficiências, cada uma com suas dificuldades específicas, e ao desenvolver jogos mais acessíveis devemos pensar em abranger a maior parte possível de PCDs. 

 

Outra coisa a ser pensada é que quando pensamos em acessibilidade não estamos favorecendo ou ajudando apenas um grupo específico de jogadores. Uma pessoa sem deficiência pode ter dificuldades com a usabilidade de um jogo ou aplicativo e isso torna ele menos acessível, da mesma forma que uma falta de feedback ou escolhas de design podem dificultar seu uso. Escolhas mais acessíveis na maior parte do tempo não vão abranger só PCDs, mas tornar a experiência de todas as pessoas usuárias melhor e mais acessível.

 

Infelizmente isso não quer dizer que com poucos recursos conseguimos abranger todo mundo nos nossos jogos, mas é importante conviver, escutar e pesquisar pessoas com diferentes tipos de deficiência para entendermos quais são suas dores e dificuldades, e como bons designers encontrarmos soluções acessíveis para facilitar a vida delas dentro dos jogos.

Quando abrimos nossa mente para a importância de criar jogos acessíveis é importante notar que testar os jogos com PCDs é fundamental, especialmente se você é uma pessoa sem deficiência. Mesmo que você estude e saiba técnicas e boas práticas, sua vivência sempre será diferente da de uma pessoa com deficiência e, por isso, é muito importante que os testes aconteçam com as mais diversas pessoas.

Ao se propor a fazer jogos mais diversos e acessíveis, pesquise sobre diferentes tipos de deficiência, procure por jogos com boas opções de acessibilidade e entenda como cada pequena decisão pode alterar seu jogo, as funcionalidades e experiências do jogador. Nem sempre uma boa prática vai fazer sentido dentro da mecânica do seu jogo, então explore e se questione como tornar cada elemento mais descomplicado para todos os tipos de pessoas usuárias.

 

Dicas e Referências

Caso queira entender e estudar um pouco mais sobre acessibilidade e entenda inglês, recomendo dar uma olhada nos seguintes sites:

Lembre-se também que a melhor maneira de tornar jogos mais acessíveis é empregando pessoas com deficiência no seu estúdio e ouvindo elas enquanto jogadores, um time diverso é muito mais predisposto a criar jogos diversos que um grupo homogêneo, mas comemore também todo passo para a inclusão de acessibilidade nos seus jogos, dentro das suas limitações. Todo pequeno passo é importante para que todos se sintam bem-vindos no mundo dos jogos.

 


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