Depois de concluir uma licenciatura em Animação e acumular mais de três anos de experiência na área do cinema, percebi que as possibilidades que tinha não se encaixavam com o futuro profissional que eu queria. Decidi então dar um novo rumo e apostar em UX/UI Design: onde poderia ter a criatividade que o cinema me oferecia, mas também poderia melhorar a vida de outros, como pretendia com as narrativas que encenava. No entanto, deparei-me com um sentimento que me fez pensar duas vezes e que vocês também devem sentir: entrar no mercado de trabalho numa área diferente é tão intimidante. Parece que voltamos aos primeiros dias de procura de emprego, acabados de sair da escola ou da universidade. Mas será mesmo assim?
Depois de entrarmos no mercado de trabalho, nunca começamos do zero numa nova área. Ao longo da minha experiência, aprendi que existem sempre competências que transitam de uma carreira para outra e, no caso do UX/UI, tornou-se ainda mais evidente: conheces outras perspectivas e outras formas de pensar sobre o design e isso é precisamente o que enriquece um design ou uma experiência. Já dei aulas a crianças, já trabalhei em VFX e, mais recentemente, Controlo de Qualidade, onde fui responsável por aprovar a entrada de mais de 1000 filmes no arquivo da Cinemateca Nacional. Todas estas funções trouxeram-me conhecimentos que aplico diariamente em UX/UI:
Algumas profissões parecem mais óbvias do que a minha para entrar neste ramo do design para desenvolvimento de software. Mas a verdade é que nenhuma carreira tem o conhecimento todo. Será que alguém percebe melhor o que o cliente/utilizador precisa e o que o frustra, do que alguém que trabalha no apoio ao cliente? Será que alguém percebe melhor como o utilizador pensa do que um antropólogo ou um psicólogo?
Vim da área de cinema e animação, o que, à primeira vista, parece não ter nada em comum ou skills que sejam transferíveis, mas que na realidade tem, como por exemplo:
Mesmo que aches que não consegues transferir hard skills da tua carreira atual para a que ambicionas, lembra-te das soft skills, essenciais para qualquer equipa perceber se és a peça que falta.
Hoje, as empresas competem por atenção num universo digital saturado. Oferecer uma experiência intuitiva já não é suficiente — é preciso criar momentos que:
Encantem o utilizador;
Gerem confiança no produto;
Diferenciem a marca da concorrência.
É por isso que microinterações e design emocional se tornaram competências essenciais para qualquer profissional de UX/UI.
É importante saber trabalhar com todos colegas, ainda que com as vossas diferenças e isto é uma soft skill que se vai desenvolvendo e aprimorando ao longo de múltiplas experiências de trabalho. Enquanto responsável por verificar e validar a entrega feita por colegas, deparei-me com o desafio de pedir as correções quando o que tinham entregue estava incorreto. No início, separar o “eu profissional” e o “eu pessoal” foi complicado, não estava habituada a ser quem critica o trabalho de outros, mas era o meu dever, e era necessário fazê-lo da melhor forma possível.
Quando nos deparamos com momentos em que temos de arriscar e fazer uma mudança, pode ser muito assustador. É importante que consigamos ver que podemos aplicar muito do nosso conhecimento prévio nesta nova etapa: quer sejam soft skills ou hard skills, nunca se recomeça do zero. E tu? Ainda achas que não tens skills que podem ser transferidas de uma carreira para outra?
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